Novo golpe do falso advogado: criminosos falsificam o número de telefone do escritório
O número que aparece na tela do seu celular já não é prova de nada. Entenda o golpe e saiba como confirmar qualquer contato antes de pagar.
O que mudou no golpe do falso advogado?
O golpe do falso advogado ganhou uma camada nova de sofisticação: a falsificação do número exibido na tela do celular. A técnica, conhecida como spoofing ou falsificação de identificador de chamadas, permite que criminosos liguem aparentando ser o advogado responsável pelo processo ou o próprio escritório, mesmo quando a chamada parte de outro lugar.
Em alguns casos, o nome salvo na agenda do cliente também aparece na tela, o que aumenta a sensação de segurança — e é justamente aí que a fraude se torna mais perigosa.
Como o golpe funciona o novo golpe do falso advogado?
O criminoso não precisa ter invadido o telefone do advogado. Basta combinar a identificação falsa com informações verdadeiras, obtidas em processos judiciais de acesso público, redes sociais e outras fontes: nome do cliente, número do processo e movimentações recentes.
Com esses dados, o contato parece legítimo. A pessoa informa uma suposta decisão favorável ou a liberação de indenização, precatório ou outro crédito — e, em seguida, cobra taxas, impostos, custas cartorárias ou despesas administrativas, normalmente por Pix. O dinheiro vai para contas controladas pelos fraudadores.
Segundo a OAB-SP, foram registradas 4.388 denúncias relacionadas a esse golpe em pouco mais de um ano e meio, o que levou a entidade a criar uma força-tarefa de enfrentamento.
Sinais de alerta
Fique atento quando o contato apresentar qualquer uma destas características:
- Pedido de pagamento imediato, com prazo curto e pressão para transferir “agora”.
- Cobrança de taxa, imposto, custa ou “validação financeira” para liberar valores judiciais.
- Depósito solicitado em conta de terceiros ou de pessoa física desconhecida.
- Documentos enviados por mensagem, como alvarás e decisões, que você não consegue conferir por outro canal.
- Pedido de senhas, códigos de autenticação ou dados bancários.
- Links que direcionam para páginas que solicitam dados pessoais.
- Perfis de WhatsApp com o nome e a foto do advogado, mas número diferente.
- Contato de alguém que se apresenta como funcionário do departamento financeiro do escritório.
Como se proteger
A regra central é simples: não confirme nada pelo canal que iniciou o contato. Se a ligação ou a mensagem chegou até você de forma inesperada, encerre a conversa e procure o escritório por um canal independente.
1. Use o número oficial. Consulte o telefone no contrato de prestação de serviços ou no site do escritório. Não retorne a ligação pelo histórico de chamadas — ele mostra justamente o número falsificado.
2. Confirme a cobrança. Antes de qualquer transferência, ligue para a AUS e pergunte se a cobrança existe e a que ela se refere. Não efetue pagamento apenas com base em ligação ou mensagem, mesmo que o contato pareça conhecido.
3. Consulte o processo. Acesse o portal oficial do tribunal responsável pelo seu caso e verifique a movimentação. Se houver divergência entre o que foi informado e o que está no sistema, desconfie.
4. Confira a titularidade da conta. Se algum pagamento for realmente devido, o destinatário será indicado pelo escritório e você poderá verificá-lo antes de transferir.
5. Verifique a inscrição profissional. A ferramenta ConfirmADV, da OAB, permite consultar se um advogado está regularmente inscrito. A consulta é útil, mas não substitui a confirmação direta de uma cobrança.
Fale com a AUS por um canal oficial
Em caso de dúvida sobre qualquer contato, cobrança ou documento, confirme diretamente com o escritório pelos canais oficiais de atendimento.
Informação é a melhor proteção.